"Destempo"
Não venhas tarde. Quando o escárnio sentir, se perder nas palavras, Nas horas vagas. De um oceano de desejo, em que beijo, mentindo não querer. Enlaço-me em compassos, que nos comprimem no tempo, em que tempo não somos, Sendo os segundos que passam, sem passarem por nós. Desenho o nosso amor, na abstracção da imagem, na miragem utópica, Que perdura nas mãos, cravando-se nos dedos, escorrendo em lágrimas...confessantes. Grito em silêncios mudos, o que ecoa do âmago selvagem do meu peito, Em ruas apertas e esquinas mal dobradas. Cortadas pelo desejo, de encurtar distâncias. Visto-me de esperanças que alimentam o meu ser, esta pele que quer, Para lá da vida, naquele amor que não se esbate...à chegada da morte. Invado-me de saudade, dos fados cantados em casas pequenas, de vielas apertadas. A cidade cai em mim, em recordação de ti, na paixão que respira, Em cada fragmento...do meu respirar. Afirmo amar, na ausência de dor, no querer que mat...