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"Destempo"

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Não venhas tarde. Quando o  escárnio  sentir, se perder nas palavras, Nas horas vagas. De um oceano de desejo, em que beijo, mentindo não querer. Enlaço-me em compassos, que nos comprimem no tempo, em que tempo não somos, Sendo os segundos que passam, sem passarem por nós. Desenho o nosso amor, na  abstracção  da imagem, na miragem utópica, Que perdura nas mãos, cravando-se nos dedos, escorrendo em lágrimas...confessantes. Grito em silêncios mudos, o que ecoa do âmago selvagem do meu peito, Em ruas apertas e esquinas mal dobradas. Cortadas pelo desejo, de encurtar distâncias. Visto-me de esperanças que alimentam o meu ser, esta pele que quer, Para lá da vida, naquele amor que não se esbate...à chegada da morte. Invado-me de saudade, dos fados cantados em casas pequenas, de vielas apertadas. A cidade cai em mim, em recordação de ti, na paixão que respira, Em cada fragmento...do meu respirar. Afirmo amar, na ausência de dor, no querer que mat...

"Amar-te"

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Quero fugir, mergulhar em mim, partir daqui, Quero esquecer, esquecer o que vivi, quem amei, De quem me perdi. Apenas quero ficar assim, sem que o tempo me marque o corpo, Sem que as feridas abram, sem que as escaras me doam. Quero acreditar. Deixem-me adormecer e sonhar com o que não tenho! Quero voar, ser livre e libertar-me desta prisão em que me findo. Dias que contam em dias que me amarro, Ao sentimento que narro, àquele que me faz bater...o coração. Quero amar, sem que a alma me doa, sem que o medo me rompa, Sem que tu partas, sem que eu parta contigo...deixando-me só. Quero viver, tocar-te em confessos desejos, Amar-te em reais vontades, cuidar de ti...como sempre o quis. Quero somente pertencer-te, Sem que tudo se esgote, sem que o fim chegue, Sem que a saudade aperte. Quero apenas viver-nos...

TEU

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Enquanto a noite cai, Caio contigo no meu pensamento, Nestes lençóis de linho, Nesta cama que te chama. Mesmo agora, Enquanto os olhos se fecham e o sorriso se esbate, Sonho contigo, Com intensidade, Voracidade, digo eu. Enquanto não sei de ti, Se estás por aí ou bem perto de mim, Deito-me na certeza de que te quero, Que te quero de forma diferente. Esta noite, Enquanto o sono cai em mim, Deito-me comigo, Deito-me connosco...

Vi-te...

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Olhei, em silêncio, num café deserto, num pequeno aglomerado de multidão. Senti paixão ou então o prolongar de um amor que vem crescendo em mim, que me vai levando, que te vem trazido até à minha memória. Fiquei a admirar pelo espelho o teu rosto rosado, confesso que pode ser pecado mas eu, eu desejei os teus lábios naquele mesmo momento. Há muito que sonho contigo, comigo, connosco, há muito que sonho ter-te entre os meus braços. Senti-te naquele espaço pequeno, repleto de cadeiras, de mesas, desprovido de vida, daquela que encontro em  abundância  no teu corpo. Sempre brilhaste mais que todas as outras, mais que outros rostos, outros sorrisos, outros olhares. Desejei-te pelo que vejo em ti e não pelo o que os outros pensam, desejo-te pela vontade que despertas em mim, pela verdade que encontro por detrás de um corpo belo de mulher. Não te procurei muito mais, almejei que o teu olhar se cruzasse pelo meu, a noite invadia-me mas, continuava a querer-te intempestivamente ...

Do amor...

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E se hoje te dissesse baixinho que te queria aqui? Bem perto de mim, bem perto do meu ser? Se hoje te confessasse que te queria como minha mulher? Como continuação do meu ser? Se hoje me aninhasse bem perto da janela do teu quarto, se te dissesse que és bem mais que uma paixão, que és real, que vives dentro do meu coração? O que farias? Fugias? Fugias de mim ou fugias comigo? Nesta vida de amor nada é certo, mas eu, eu não quero certezas, quero intensidade, momento, verdade. Fugirias tu comigo? Agora? Sem demora? Percorríamos a noite fria desta terra, ouvindo o mar, sentido o pulsar do meu coração, na tua mão, ao teu olhar. Espero eu por ti ou posso, então, avançar? És tu vontade ou apenas nada para dar? E se hoje tudo fosse o último respirar? Se nada mais houvesse para dar? Ficarias aí ou virias comigo tentar? Hoje, se a paixão desperta, o amor aperta, a vontade, a saudade, mesmo que nunca se tenha tido bem perto, mas... o perto será sempre uma pequena questão, certo? Se hoje tudo es...

"Quero-te!"

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Quero-te não de ontem, não de hoje e, certamente, não apenas amanhã. Quero-te, em cada segundo, em cada fragmento, em cada momento, em cada melodia. Quero-te em noite fria, enrolada no meu corpo, entrelaçada nos meus braços. Quero-te, de uma forma qualquer, despenteada, borrada, mal arrumada, quero-te como mulher. Quero-te como companheira, como amante, como aventureira, quero-te agora, de qualquer maneira. Quero-te a sorrir, num mundo por descobrir, quero-te como porto de abrigo, quero-te abrigar. Quero-te amar, sem vírgulas nem reticências, sem lapsos de memória, construindo juntos uma história. Quero-te, longe ou perto, quero-te a ti mesma, com aquilo que és não, somente, com a tua melhor parte. Quero-te, quero-te de forma intempestiva, de forma reivindicativa, de forma destemida, desmedida, distraída. Quero-te no compasso da nossa canção, num quarto repleto de paixão, numa noite duradoura, numa viagem tentadora. Quero-te como minha mulher, como orgulho do meu ser, como adepta de f...

"Desconcertas-me..."

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Invades, ficas, agarras, prendes. Desconcertas o meu pensamento, desconcentras a minha atenç ã o, puxas-me na tua direcç ã o, d á s fogo à minha paix ã o. Ateias, incendeias, cativas tal como marés vivas, em dia de temporal, em passos descoordenados de uma arte minimal. É s fogo, fogo que me aquece, que me estremece, que me enlouquece, que me tira a orientaç ã o, que me faz perder na imensid ã o. Fazes-me querer-te, em cada momento, com a força de um sentimento, com a vontade de ficar. Quero-te com o meu simples olhar, quero-te abraçar, beijar, amar, numa cama, em qualquer lugar. Quero a tua pele na minha, em noite fria, até que se faça dia. Aninhada entre os meus braços, entre beijos e amassos, entre cordas e baraços. D á s-me vontade, n ã o passageira, daquela duradoura, tentadora, devoradora, inquietadora. Quero-te por inteira, na tempestade, na clareira, quero-te nas aventuras, nas desventuras, nos sorrisos, nas ternuras. N ã o te quero apenas para mim, quero-te do mundo, de um lu...

Momento...

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Queria dizer-te. Queria. Queria olhar-te, agarrar-te, beijar-te, com força e... apenas dizer-te... Dizer-te que é agora, sem demora. Dizer-te que sim. Sempre sim, deste que neguei a mim mesmo amar-te. Dizer-te que te quero, neste momento, em todos. Dizer-te. Queria. Queria, dizer-te que fugi, que parti, que nunca te esqueci. Queria, queria agora mesmo, nesta rua, nesta terra, com o cheiro da tua pele. Queria. Sempre queria. Queria amor como queria um dia. Queria apenas amar-te sem querer. Porque, mesmo querendo, Queria que soubesses, Que o imperfeito ama-te. Queria, Amor, Queria... PS: Convido-os a ver os outros dois post´s colocados no dia de hoje. Sejam felizes! Insónia Vem ter comigo...Agora...

Fugimos hoje?

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Embarcamos que nem loucos numa viagem sem direcção, peguei-te na mão e transportei tantos sonhos para aquele momento, para o instante em que largaste o medo e seguiste comigo. Partimos numa carruagem envelhecida pelo tempo, parecia que vivíamos um romance de antigamente, daqueles que se encontram escritos nos livros depositados sobre a minha mesa-de-cabeceira. Seguimos rumo ao desconhecido, as nossas mãos tremiam e, o coração, acelerava a uma velocidade estonteante, a um batimento descompassado, coordenado pela  ânsia  de viver cada segundo. Olhando nos teus olhos perdia-me na sua cor, na profundeza do sentimento que transparecia, numa retina que se contraia e expandia ao sabor dos beijos dados, dos abraços apertados, do calor que emanava de cada poro da pele. Sentia-te perto, com pouca bagagem mas, o que importava a roupa que nos cobria o corpo comparada com a liberdade auferida pelo vento que sentia-mos a bater no nosso rosto? A carruagem tinha o cheiro a lenha queima...

"SempreTu"

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Pode tudo nada ser, podes ser tu simples corpo de mulher, podemos nós não saber. Pode a melodia acabar, o fado nada falar, as palavras chorar, os meus olhos não olhar. Pode o mundo ruir, na nossa mão, no nosso chão. Podemos nós ser sós, simples anzóis, eternos sóis. Pode o mundo rodar, fazer perder, fazer encontrar, pode tudo ser passado, pode tudo estar a nosso lado. Pode tudo ser alucinação, afirmação, sonho vão, presente na nossa estação. Pode o comboio passar, a vontade ficar, a pele estranhar, o corpo se moldar. Pode a escuridão chegar, fazendo não ver, fazendo esquecer, fazendo dissolver. Pode ser engano, erro estranho, pode ser adrenalina, dolorosa vacina, pedra da caçada. Pode tudo ser tudo, pode tudo ser nada. Pode a água esgotar, o oceano emigrar, a areia fria ficar, o tempo piorar. Pode o corpo envelhecer, a pele enrugar, o coração falhar, a força acabar. Pode tudo desabar, acabar, sucumbir. Pode talvez o meu “eu” nem existir, ou então a recordação findar. Pode a memória es...

Parte Integrante...

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Tenho de pedir desculpa pelas últimas postagens, o tempo tem sido escasso mas espero que hoje vos consiga compensar. Tirem um tempo e leiam. Beijos e Abraços e sejam felizes. Foi no olhar dela que se perdera uma e outra vez, no tempestuoso sentimento que detinha nas suas mãos. O sorriso o prendera, os beijos roubados e os sentimentos confessados, naquele lugar, naquele quarto, naquela cama. Eram chama, chama que os aquecia, o corpo, a alma, o coração. Avançavam ao som do jazz, do blues que emanava de uma velha aparelhagem que servia de banda sonora ao seu encontro. Cumplicidades que escorriam pelos dedos de ambos, com sabor a sal, com sabor a uma paixão vivida, sem receio e muito menos pudor. Diziam que era amor mas, eles, não se prendiam a conceitos e muito menos a preconceitos, eram um do outro, naquele momento, naquela hora mas não sempre. Viviam em cada suspiro ofegante das suas almas, em sussurros demorados, em espasmos partilhados, num prazer deles, num vendaval de  conc...

Terça-feira...

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Percorro o teu corpo na vontade de te ter, nos meus braços, nas minhas mãos, nos meus lábios. Toco-te de forma subtil, no silêncio dos  dialectos , nas melodias ecoantes que emanam dos  poros  da minha pele. Tenho-te nesta vontade de te ter, de te ver, de te preservar, no presente, no dia seguinte e num futuro por acontecer. Percorro-te, em palavras, textos e vontades, em realidade de um homem que te deseja como sua mulher, sem tempos, sem momentos, numa eternidade que faz tremer. Sei que te quero, não como os outros, não como tantos, sei que te quero nessa tua altivez, nessa tua forma de ser, estranha para mim, desconhecida ao meu tacto. Visito-te em noites, sonhos, devaneios da alma que te trovam canções de amor, que te endereçam cartas meio escritas, sinais de um tempo que almeja o teu chegar. Sonho contigo mesmo sem sonhar e, por mais que o tempo passe e que a ideia seja de te ver sorrir, quero-te mesmo assim, simplesmente, autónoma, carente, quero-te por t...

Velozmente...

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O betão cinza da cidade roubara-me a atenção, as casas eram tão iguais e as pessoas deambulavam pelas ruas que não respiravam alegria. Eu por ali andava, de passos lentos no meio de gente apressada, pela vontade de partirem ou pela pressa de chegarem. Não olhava as montras, apenas os rostos e expressões, de cada um, de cada qual. Confesso que há dias em que me abstraio da rotina da vida e entro numa completamente paralela. Nela, nesse alienamento observo pequenas expressões, sinais e melodias que passam ao redor de quem corre sem sequer caminhar. Hoje ouvia-se de tudo, de tudo menos de amor, de tudo menos do tempo gasto para um sorriso partilhado ou para um abraço apertado. Fui seguindo a rua, o tempo perdia-se e, mesmo cansado, o que eu queria era sentir a gente, o pulsar das pessoas, a vida que existe nelas, vida que hoje custou-me a encontrar. No meio deste final de tarde, frio, decidi-me aquecer com um chá branco com aroma a romã e, foi nessa vontade vã, que me lembrei do teu olha...

Intemporalmente...

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Quero-te, um tempo e outro, aqui, por aí, numa liberdade que não tem fim. Quero-te neste dia, no outro seguinte e num aglomerado de tanto que tantos dizem chamar-se futuro. Quero-te simplesmente e sei que, te querendo desta forma, quero-te com toda a intensidade. Quero-te num beijo roubado, em qualquer lado, quero-te numa conversa longa, num cobertor partilhado. Quero-te tal e qual como és, sem receios e medos, sem papéis, intemporal como as marés. Quero-te com uma roupa qualquer, desbotada, despenteada ou até mesmo má humorada. Quero-te a ti por completo, pelo pacote inteiro, entendes? Não quero apenas o melhor de ti, quero-te assim, tu sem divisões. Quero-te de noite num bar entre amigos, quero-te como companheira das minhas aventuras, não te quero para te levar a passear, quero-te para que viajemos o mundo, para que nos percamos por aí e, à noite, nos encontremos, um ou outro, por entre lençóis e prazer. Quero-te como minha mulher, como maior orgulho que posso ter, quero-te viva, d...

Mesmo antes de ires...

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Perde-te mais umas horas, fica no meu abraço, debaixo do calor das mantas que nos cobrem os corpos, que nos unem numa tarde de Novembro. Fica no meu abraço, envolta num misticismo tão chamativo, nesta vontade que tenho de ser o teu homem, sem tempos, sem intervalos, sem momentos. Fica somente a olhar nos meus olhos, num silêncio cúmplice que surge depois do prazer, depois de um encontro esperado que nem panificado foi. Faz-me desejar-te ainda mais, faz-me ter-te nas minhas mãos, tornando-te minha, fazendo-te livre. Fica mais um tempo, cobre a tua nudez com os lençóis amarotados pelo tempo gasto ali, pelos segundos partilhados em que ficaste, em que te faço acreditar. Antes de ires, leva-me contigo a um lugar qualquer, lá farei de ti a minha mulher e, o resto, fica por acontecer porque não sou muito de idealizar. Quebra comigo mais uma barreira, parte depois que eu, eu, não esqueço quem faz parte de mim. Dá-me mais sinais, mais actos banais ao olhar de tanta gente mas que fazem, de nós...

Perto...

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Fomos loucos, poucos, dois, apenas a junção de um. Naquela noite fugimos por entre ruas e ruelas, calçadas polidas, gentes conhecidas e um sentimento tão nosso. Quebramos a barreira, fomos maduros, crianças, insanes, conscientes. Olhando o teu longo cabelo, perdi-me nas ondas do teu sorriso e admirei cada curva que dele emergia. A noite era fria e a lua quase nem se via mas, o mar, estava ali, perante o nosso olhar numa mistura de vontades, de mãos apertadas e do simbolismo dos nossos  dialectos . Fomos loucos, loucos um pelo outro nesta arte que fala de querer, ficamos perdidos e, perdendo-nos, perdi-me nas horas em que eu contornava o teu rosto, desvendando os teus segredos que residiam no silêncio das nossas vozes. Ouviam-se ao longe as chuvas que caiam no areal daquela  baía  de antigos piratas, naquela terra de gerações de pescadores que se tornavam guerreiros, guerreiros que nos fizeram herdar a garra de uma, permanente, vontade de ficar. Chegas-te quebrando...

17 de Novembro de 2013

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Passeava por aquela calçada desenhada numa baía de antigos piratas. Sentia o corpo frio, as mãos pediam as tuas e, o meu pensamento, esvoaçava numa mistura de tanto que em tão pouco era escrito. Senti, pela primeira vez, a necessidade momentânea de uma caneta mesmo ali e, tirando um guardanapo de uma esplanada, garatujei um bilhete endereço a ti, ao teu ser. A noite caia e a lua tornava-se a minha confidente, uma confidente que, em tantos momentos, ouviu falar de ti, em palavras baixas, em sonhos tão altos. Hoje escrevi em rabiscos o que a minha alma vê no teu olhar e, sorrindo sem explicação, abstrai-me das conversas de amigos num dia que parecia tão igual aos outros. Para mim não foi, não foi um dia igual porque, finalmente, consegui ver que és bem mais do que um capricho do corpo, és parte integrante do meu coração...                            ...

Faz-me acreditar...

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Sentia-a bem perto a mim, naquela tarde de fraco vento em que a praia se desenhava no meu olhar eu, desenhava cada traço do rosto dela, na areia fina tão confidente do seu ser, tão conhecedora das suas pisadas. Sentia-a, naquela certeza de tudo, naquela mão cheia de sonhos, de uma vontade incontrolável como a força do rio Tejo a embater contra um mar de vida. Sentia-a, na melodia que ecoava nos meus ouvidos percorrendo, o meu corpo, por pequenos filamentos de sentidos, de sentires despertos de quem lhe escrevia a alma, de quem lhe pintava nas cores vibrantes de um amor crescente, de uma espera impaciente. O dia foi passando mas há coisas que não passam e essas, essas são as mais verdadeiras, aquelas que dão sentido, sabor, vida, que dão-nos a certeza de que, as grandes paixões, são como chamas que nunca se apagam, são como distâncias que se encurtam. Hoje sentia-a bem perto porque, nunca será toda a estrada que me fará esquecer que o lugar, dela, é mesmo aqui, nesta terra, perto de mi...

Traços...

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Espero-te ali mesmo, naquela rua pequena, de calçada polida e de gente com alma de pescador. Espero-te, sentado num banco envelhecido pelo tempo e pelas chuvas que dão lugar ao sol, espero-te sentado, com um sorriso esboçado e com um caderno de anotações. Nunca fui bom de palavras, nunca fui bom de grandes demonstrações, sou um escritor, um rabiscador de letras que vou deixando, de histórias que preenchem esta minha vivência feita de pedaços. Conto tempos e esqueço segundos, engraçado como o tempo em dias vale tanto e noutros, causa em mim, um efeito neutro. Continuo um sonhador, uns chamam-me de louco e outros tantos nem olham para o banco em que estou sentado. Se queres que te conte um segredo, digo-te que te espero, silenciosamente, no embalar de um fim de tarde em que a lua já se avista no céu desta terra que sinto tão minha. Espero-te, não apenas hoje, já te espero nestas canções em que te ouço e em pequenas frases, recantos de uma vontade tão viva, tão permanente. Sinto-te em ca...

Contornus...

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Os contornos eram pintados nas cores encarnadas de uma paixão sentida, inspirada nas partículas finas que percorriam o corpo, que faziam tremer. A procura tivera desaparecido, o destino formava-se sobre aquela tela, no meio de tantos riscos e risos, no meio do desconhecido, daquele que fazia querer ainda mais. Acendi um cigarro e, ficando a olhar toda aquele mistura de sensações, assisti a uma história bem em frente ao meu olhar, à descrição do teu ser, traço a traço, na insensatez de um amante, na harmonia de um decorador, no acreditar de uma criança. As horas passavam e tudo parecia não estar completo, eram cores cobrindo outras, eram espelhos de traços que marcam a memória, de particularidades que cativam o coração. Por mais que pintasse ficava sempre um tanto por acrescentar e, num súbito pensar de amor sentido, vi que seria eternamente uma obra incompleta. Tudo isto é como quando se escreve sobre nós, quando se canta sobre dois amantes, quando se narra uma história vivida sem rec...