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Um dia...

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Engraçado como o destino o tivera surpreendido num dia comum, as canções cheiravam a Natal e, no meio de sacos e de uma bebida quente, ele perdeu-se no meio da multidão. O anoitecer estava fresco e as luzes chamavam-lhe a atenção, roubavam tempo a um tempo que tivera tirado para si. Os passos eram lentos, estava uma eternidade para ser vivida naquele mesmo espaço, num compasso descompassado de palavras, no meio de ritmos diferentes de vida. Hoje o seu coração estava calmo, movia-se na liberdade do seu sentir e, num ápice de tempo, encontra-se com um outro olhar, cruza-se com um sorriso e segue, ambos seguem as suas rotas predestinadas ininterruptamente com um virar de ombros para prolongar um pouco mais o embate. Chegando ao carro pega nas chaves, coloca os sacos na bagageira e ouve um pequeno riso camuflado pelo barulho dos motores de outros carros. Olha para trás e ali estava ela, desconhecida ao seu olhar, surpreendente na atitude tomada. Ficaram numa conversa que se desenrolou num…

Momento...

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O caminho seguiu, o mundo mudou, o que era sonho passou a ser passado e o que era amor, não se viu crescer. Foram tempos entrelaçados a momentos, momentos desenhados em linhas meio escritas, totalmente sentidas. Foi numa tarde de Outono que o mundo mudou e, com ele, mudou tanta coisa. Sentado à beira do mar viu o céu alterar-se, o sorriso esboçou-se no olhar e as canções falaram-lhe de um grande amor. Foi então que pegou numa folha rasgada, colocou-a numa garrafa e atirou ao mar, olhando horizonte deixou que tudo fosse na espuma das ondas e com isso, deixou a memória dela partir do seu coração...

Terça-feira...

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Percorro o teu corpo na vontade de te ter, nos meus braços, nas minhas mãos, nos meus lábios. Toco-te de forma subtil, no silêncio dos dialectos, nas melodias ecoantes que emanam dos poros da minha pele. Tenho-te nesta vontade de te ter, de te ver, de te preservar, no presente, no dia seguinte e num futuro por acontecer. Percorro-te, em palavras, textos e vontades, em realidade de um homem que te deseja como sua mulher, sem tempos, sem momentos, numa eternidade que faz tremer. Sei que te quero, não como os outros, não como tantos, sei que te quero nessa tua altivez, nessa tua forma de ser, estranha para mim, desconhecida ao meu tacto. Visito-te em noites, sonhos, devaneios da alma que te trovam canções de amor, que te endereçam cartas meio escritas, sinais de um tempo que almeja o teu chegar. Sonho contigo mesmo sem sonhar e, por mais que o tempo passe e que a ideia seja de te ver sorrir, quero-te mesmo assim, simplesmente, autónoma, carente, quero-te por tudo e desejo-te por nada...



Velozmente...

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O betão cinza da cidade roubara-me a atenção, as casas eram tão iguais e as pessoas deambulavam pelas ruas que não respiravam alegria. Eu por ali andava, de passos lentos no meio de gente apressada, pela vontade de partirem ou pela pressa de chegarem. Não olhava as montras, apenas os rostos e expressões, de cada um, de cada qual. Confesso que há dias em que me abstraio da rotina da vida e entro numa completamente paralela. Nela, nesse alienamento observo pequenas expressões, sinais e melodias que passam ao redor de quem corre sem sequer caminhar. Hoje ouvia-se de tudo, de tudo menos de amor, de tudo menos do tempo gasto para um sorriso partilhado ou para um abraço apertado. Fui seguindo a rua, o tempo perdia-se e, mesmo cansado, o que eu queria era sentir a gente, o pulsar das pessoas, a vida que existe nelas, vida que hoje custou-me a encontrar. No meio deste final de tarde, frio, decidi-me aquecer com um chá branco com aroma a romã e, foi nessa vontade vã, que me lembrei do teu olha…

Intemporalmente...

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Quero-te, um tempo e outro, aqui, por aí, numa liberdade que não tem fim. Quero-te neste dia, no outro seguinte e num aglomerado de tanto que tantos dizem chamar-se futuro. Quero-te simplesmente e sei que, te querendo desta forma, quero-te com toda a intensidade. Quero-te num beijo roubado, em qualquer lado, quero-te numa conversa longa, num cobertor partilhado. Quero-te tal e qual como és, sem receios e medos, sem papéis, intemporal como as marés. Quero-te com uma roupa qualquer, desbotada, despenteada ou até mesmo má humorada. Quero-te a ti por completo, pelo pacote inteiro, entendes? Não quero apenas o melhor de ti, quero-te assim, tu sem divisões. Quero-te de noite num bar entre amigos, quero-te como companheira das minhas aventuras, não te quero para te levar a passear, quero-te para que viajemos o mundo, para que nos percamos por aí e, à noite, nos encontremos, um ou outro, por entre lençóis e prazer. Quero-te como minha mulher, como maior orgulho que posso ter, quero-te viva, d…

O teu rosto avermelhado...

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As luzes de Natal entrelaçavam-se no meu olhar, a pressa era de chegar, de estacionar o carro, junto ao rio, para te encontrar. Percorrera quilómetros a fim de ver, contigo, o Natal, para partilhar um café quente com travo a baunilha, para andarmos que nem loucos pelas ruas de Lisboa. O teu sorriso cravava-se na memória e, o desconhecido de tudo aquilo, a mim, causava uma vontade maior de te ter, nos meus braços, no meu corpo, nos meus lábios. A baixa estava iluminada, as pessoas vestiam casacos e cachecóis que lhes aqueciam o corpo e eu, eu, ali deambulava, procurando o maior ponto de luz, aquele que me chama, aquele que não me ofusca, apenas, o olhar. Vi-te chegar, em passos silenciosos e, dizendo-me um simples “olá” virei-me vendo o teu rosto. Tinhas ele avermelhado, como sempre, pequenas rosas que te faziam criar ainda mais encanto, que me faziam, por momentos, perder o diálogo. Fiquei segundos a contornar cada linha da tua expressão, cada fragmento que, para mim, faz toda a difer…

A Coluna de Sexta!

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A coluna de Sexta é a nova rubrica do blog "pedacinhos de mim" que aborda vários temas, do ponto de vista do autor. Sejam livres de ler, opinar como, da mesma forma, incrementar novos temas de reflexão para a coluna seguinte.
Passavam cinco minutos das quatro da tarde, o Outono tivera trazido consigo o frio e eu, numa forma de abrigar o corpo, sentava-me num banco que ainda alcançava sol no seu topo. Fiquei ali tempos parado, admirando cada pormenor, perdendo-me na imensidão de um céu que, constantemente, ia alterando as suas feições. Hoje não quis “molengar”, tirei o dia para sair, mergulhar num mar de emoções, daquelas mesmas que, tantas vezes, esquecemos de sentir. A semana tivera sido preenchida e, em certa forma, não tivera correspondido às expectativas que estavam sobre ela. Não fiquei ali muito tempo ou não fosse eu incapaz de estar sentado mais que um aglomerado de segundos seguidos.
Ao longe vi que corriam crianças acompanhadas de uma felicidade tamanha, confesso que,…