Mensagens

Traços...

Imagem
Espero-te ali mesmo, naquela rua pequena, de calçada polida e de gente com alma de pescador. Espero-te, sentado num banco envelhecido pelo tempo e pelas chuvas que dão lugar ao sol, espero-te sentado, com um sorriso esboçado e com um caderno de anotações. Nunca fui bom de palavras, nunca fui bom de grandes demonstrações, sou um escritor, um rabiscador de letras que vou deixando, de histórias que preenchem esta minha vivência feita de pedaços. Conto tempos e esqueço segundos, engraçado como o tempo em dias vale tanto e noutros, causa em mim, um efeito neutro. Continuo um sonhador, uns chamam-me de louco e outros tantos nem olham para o banco em que estou sentado. Se queres que te conte um segredo, digo-te que te espero, silenciosamente, no embalar de um fim de tarde em que a lua já se avista no céu desta terra que sinto tão minha. Espero-te, não apenas hoje, já te espero nestas canções em que te ouço e em pequenas frases, recantos de uma vontade tão viva, tão permanente. Sinto-te em ca…

Desejos Rotineiros...

Imagem
Quero-te a todas as horas, em todos os lugares. Quero-te por tudo, quero-te por nada, numa rotina, numa vida, numa noitada. Quero-te num beijo roubado, no meio de um olhar envergonhado ou num dia de Outono molhado. Quero-te livre em mim, amante de noites sem fim, repleta de tudo, com cheiro a jasmim. Quero-te desnuda no meio dos lençóis, em luares partilhados, em iscos, em anzóis. Quero-te despenteada, mal pintada, quero-te ver borrada, pelo beijo dado, pelo desejo saciado, pelo sentimento confessado. Quero-te sem querer-te e querendo-te não quero mais nada. Quero-te assim, simples, discreta, produzida, desperta. Quero-te reivindicativa, com glamour ou desportiva, quero-te tal e qual como és. Quero-te não para aí andar, para te fazer desfilar, quero-te somente no meu viver, nesta história que tanto tem para escrever, quero-te agora, sem demora, quero-te. Quero-te com o teu melhor sorriso, numa esplanada, numa tasca ou em qualquer lugar em que nos vamos sentar, quero-te sem tempo, quer…

Contornus...

Imagem
Os contornos eram pintados nas cores encarnadas de uma paixão sentida, inspirada nas partículas finas que percorriam o corpo, que faziam tremer. A procura tivera desaparecido, o destino formava-se sobre aquela tela, no meio de tantos riscos e risos, no meio do desconhecido, daquele que fazia querer ainda mais. Acendi um cigarro e, ficando a olhar toda aquele mistura de sensações, assisti a uma história bem em frente ao meu olhar, à descrição do teu ser, traço a traço, na insensatez de um amante, na harmonia de um decorador, no acreditar de uma criança. As horas passavam e tudo parecia não estar completo, eram cores cobrindo outras, eram espelhos de traços que marcam a memória, de particularidades que cativam o coração. Por mais que pintasse ficava sempre um tanto por acrescentar e, num súbito pensar de amor sentido, vi que seria eternamente uma obra incompleta. Tudo isto é como quando se escreve sobre nós, quando se canta sobre dois amantes, quando se narra uma história vivida sem rec…

Entre tudo e nada...

Imagem
As ruas estavam desertas e o teu corpo reflectia-se nas paredes pintadas em cor de betão. Os candeeiros pouco iluminavam e o meu olhar tornava-se turvo, distorcido de sentido, perdido de palavras. O silencio era escutado pelo peito, o sonho fazia-me seguir-te e, sem recear-te, convidei-te para um dança, uma mistura de passos e descompassos, de beijos, de abraços. Eramos apenas nós os dois, num mundo que parecia ter parado para que nós nos encontrássemos, naquele lugar, na luz daquele luar, numa forma tão peculiar de olhar. Sentia a tua pele junta à minha, num cumprimento de quilómetros quebrados, na irrealidade de uma utopia alcançada, de um mar de saudade desaguado num rio vivo, bem vivo nas nossas mãos. Pedindo-te ar deste-me um tempo desconhecido em mim, mostraste-me caminhos nunca antes percorridos, olhares nunca vistos e despertaste-me amor, um amor que sabia amar. Cuidado e cuidador, narrador e trovador, foi naquela noite, naquele beco com cheiro a vontade de ficar que te embrul…

Outono Intermitente...

Imagem
Andamos trocamos, perdidos, achados, Entre ruas e ruelas, esquinas, vielas, Respiramos este ar, mergulhamos neste mar, Sentimos o calor, vivemos este amor. Repartimos sabores, sonhos, amores, Entre rios e baías, oceanos, travessias, Navegamos neste mar que nos faz avançar, Abrimos os olhos para viver, para fazer acontecer. Voamos paisagens, sonhos, miragens, Entre querer e ficar, amar, lutar, Somos apenas errantes, desejos começantes, À média luz de uma paixão que nos tira a razão. Esperamos consequentes, pacientes, eloquentes, Entre pétalas e flores, desejos, sabores, Aguardamos o momento que vai para lá do firmamento, Somo a continuação de um querer, a prova de um saber. Olhamos vendo, sentindo, querendo, Entre sons e fantasias, prosas, poesias, Instantes em que te espero, distâncias que desespero,
É a confissão de um amor diferente, de um amor permanente...



Na nossa terra...

Imagem
Em segredo escrevia na parede, em frente da tua casa, os versos que há muito te endereçava, escrevia no silêncio da noite e no escuro daquela rua deserta de gente. Vivia na rebeldia daquele acto, nas cores alegres em que o teu nome descrevia, em que o teu corpo percorria, em que as tuas curvas delineava nos passos descompassados de um coração que te guardava. Sentia-me livre, verdadeiramente livre, despido de roupas e de receios, de enganos e desenganos. Há muito sentia-te e era, nesse peculiar sentir que te tinha mesmo sem te ter, que te abraçava numa noite fria de outono, nesta nossa terra ou numa outra qualquer. Confesso que sou um incurável sonhador, um narrador de histórias vividas e outras tantas projectadas à média luz de um candeeiro a petróleo, que sou este pedaço de carne em que o sangue corre por entre as minhas veias, tornando-me neste homem de ninguém, neste homem de mim mesmo. As horas passaram, a janela do teu quarto, aquela projectada para uma rua apertada de um lugar …

Secretamente...

Imagem
Escuta-me mais um instante, mais um momento, pára, aqui, em mim, neste meu querer que te chama, nestas minhas letras que o teu corpo percorrem, que o teu sorriso almejam – assim pensava ele, no silêncio do seu quarto, sentado numa cadeira de cor escarlate, bebendo um chá quente com aroma a maça e canela. A caneta deslizava pelo papel, os raios de sol desciam pelos prédios e o quarto deixava de ser iluminado pela luz do dia. Acendendo o candeeiro a óleo, que tivera comprado numa feira de velharias, ele rabiscou o rosto dela em palavras e versos de um sentimento distinto, de um sentimento crescido de forma tão peculiar e ao mesmo tempo tão estranho. Sentia-a, sentia a presença do seu corpo nos lençóis de linho com cheiro a vontade, com sonhos desenhados nos pospontos que uniam todo aquele refúgio, todo aquele mar de projectos ardentes de uma chama que aquece sem queimar. Num ápice levantou-se, foi até à varanda, ouvia-se ao perto o mar agitado de um anoitecer de Outono, acendendo um cigar…