Selvagens...
Contornavam
o corpo um do outro numa noite de paixão, suspiros silenciosos, sussurros confessantes,
momentos insanes. Deixavam-se ir, no rasgar da roupa caída pelo chão, no meio
daquele quarto, em cima daquele colchão. Guiados pelos dedos que pediam mais,
os corpos entrelaçavam-se em actos carnais de quem pedia um pouco, de quem
pedia mais. Deixados nas horas, repletos de tanto, eram gestos e gemidos,
proferidos, contido, sonhados, vividos. Olhares que se penetravam, na melodia
daquela paixão, suores frios, tremores fugidios, sorrisos descontrolados,
desejos saciados. Eram amantes num acto apenas deles, sob a luz da lua que
passava por entre as vidraças da janela daquela casa, num lugar qualquer, numa
história que os fez conhecer. Mordendo os lábios um do outro entregavam-se ao
toque, a pele era apertada pelas mãos, pelos dedos que se contorciam na vontade
de viver tudo num só sopro, num sopro de ar que saia pela boca deles, que se
misturava no meio dos beijos roubados, desejosos de …