Aquele mesmo olhar...
Toque, sentia-se o toque de
dois corpos que se despiam, que se fundiam, num oceano de desejo, num areal extenso
da paixão que tivera chegado. Embrulhados um no outro, sob a luz do luar,
naqueles beijos rasgados, abraços apertados, gemidos calados, confessavam o
tempo, paravam os relógios. Gritos mudos entendidos por dois olhares, dois
amantes, um só lugar, um coração cravejado de tatuagens de um amor maior. O
cabelo molhado era sentido, numa noite fria aqueciam-se ali, no sabor salgado
da pele arrepiada, no pedir de mais, de um mais que ambos saciavam no silêncio
de uma noite tão deles. Os quilómetros os tiveram arrastado para aquele refúgio
que antes desconheciam, seguiam os passos de um querer, sem cobrar no dia
seguinte, sem projectar em cima de um momento partilhado. Ambos sabiam que era
no secretismo daquele encontro que residia a adrenalina que lhes corria nas
veias, que eram naqueles beijos ora roubados, ora envergonhados que, os dois,
se entregavam ao prazer sem culpas, sem mo…