Diário de bordo 28/11/2013 (Dia 2)
Encontrei-te hoje numa parede
escrita sem ser pelas minhas palavras, encontrei-te numa rua de constante
movimento, de gente que passava sem olhar e, quem olhava, nem se preocupava a
sentir cada letra. Fiquei ali, parado por minutos seguidos desmistificando cada
letra, contemplando cada saber incutido em cor pastel, num aglomerado de
tijolos. A força da palavra causa em mim tamanha estranheza. Como uma letra
pode despertar tanta emoção neste meu corpo? Confesso que hoje a questão
permaneceu comigo até agora, até este fim de tarde misturado no meio de pessoas
e de fogueiras que servem para aquecer, comerciantes esfriados, que tentam
sobreviver a um dia frio de Outono. Olho e sorrio com aquela parede, aquela
imagem não me saiu do imaginário, não me fez ter-te por perto mas fez-me
sentir-te perto, entendes? Hoje, consegui ver que as distâncias não acabam, 300
quilómetros serão sempre 300 quilómetros e 100 metros serão sempre esses bem
ditos 100 metros. O que faz a diferença, o que ameniza…