"Silêncio"

Silencio-me e vou...
Vou para onde não estou.
Ser o que não sou,
Ver o que nunca vi...
Rasgo-me, devoro o meu coração,
Engulo o amor que sinto e parto...
Parto para longe de mim.

Silencio-me e grito...
Grito que nada mais sou,
A não ser a carne que me pertence,
A pele que se envelhece
(em segredos calados - devorados enfim).

Nada mais tenho....
Sou apenas a sombra que se vê,
Nas escuras ruas que abandono,
No sonho que era sonho,
Em tudo... em nada.
Silencio-me e... choro,
Sinto o meu rosto humedecido,
Coberto de memórias,
De saudades esquecidas...
Cravadas no meu esquecer.

Silencio-me e vou,
Parto e embarco,
No meu peito meio fraco,
No meu futuro tão ilusório
(tão gritante).

Silencio-me e digo adeus,
Adeus ao que tive, 
Adeus ao que não vivi...
Ao que deixei morrer.

Enfim parto, parto e largo,
O meu peito ao vento,
Passo a ser firmamento...

Esquecendo-me de amar,
Esquecendo-me de amar-te,
Amando-te eternamente.



Comentários

  1. Respostas
    1. Por vezes "partir" não é tristeza para quem sabe sempre voltar a amar! Tenha o resto de um bom fim-de-semana! Abraço! :)

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