"Lê-me"...

Desde de pequeno que acredito no amor, confesso que sou um apaixonado, um sonhador, um brincador das palavras, um narrador de histórias. Aprendi, com a vida, a viver de uma outra forma, a esperar momentos, a criar oportunidades e a não desistir, a persistir naquilo que mais quero. Sei que a vida nem sempre é justa, que existem dias cinzentos, capazes de nos marcar a alma e encher o corpo de escaras. Na verdade somos carne, somos coração, sangue que brota do peito, percorrendo as veias, chegando à pele. Somos feitos de oportunidades, de coisas que agarramos, de outras tantas que perdemos, ora pelo pavor de falhar, ora por aquele receio de errar. Somos a coragem e tantas vezes o medo que nos assola o corpo, numa viajem sem regresso, naquela que nem bilhete adquirimos para entrar. Vivemos por metades e enganamos o nosso ser, ficamos acomodados e receamos o que, para nós, supõe o desconhecido. Há dias em que sentimo-nos tudo e outros, outros, em que nos colocamos na posição de um nada, um nada que permanece no silêncio, nas folhas rasgadas e nas imagens distorcidas que vão sugando a nossa felicidade. Durante a vida aprendemos a coleccionar momentos, a guardar sentimentos e a viver, viver o que nos aquece o ser, que nos mostra a verdadeira face do amor. São nessas horas que vemos que o comum não nos atrai, que o fácil não nos motiva, que o inseguro não nos faz ficar. Quando queremos, queremos com toda a vitalidade, com toda a pujança, sem intervalos, interrogações ou desculpas que criamos para diluir a nossa fraca vontade. Na verdade, somos apenas marinheiros, que nos aventuramos por mares tempestuosos, ou então, atracamos a portos de abrigo seguros. Tudo depende da nossa alma, daquilo que nos compõe, que nos concerta ou desconcerta. Na verdade, não somos apenas nós mesmos na arte da amar, somos nós e tanto mais, um tanto que não se explica e não se escreve, um tanto que não se procura, um tanto que se encontra num volte e face da nossa vontade de viver...



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