O rasgar de um amor...

Dia cinzento de amores encantados, dias em que o sol se punha sobre as nuvens escuras mas que nem elas sufocavam aquele amor, aquela história ali desenhada a lápis de carvão, escrita em forma de verso. Seguia ela, seguia com os pés descalços sobre as pedras frias daquele lugar, daquele refúgio em que um dia ancorou o seu coração, em que um dia construiu a sua história de amor. Ele, simples rapaz, repleto de sentimentos dentro de um peito que já tinha sido deslaçarado pelo tempo, esquecido por um destino que a ele não chegava, que a ele nem tocava. Foram simples momentos, simples palavras que encheram todo aquele imaginário, aquela fábula tão sonhada em crianças, tão vivida nos dias presentes de uma maturidade conseguida, de um poema completo. Acreditaram neles, deixaram de ser espectros de uma história que nem podia chamar sua, daquelas migalhas que lhes davam e que nem saciavam aquele amor que possuíam, aquele sentimento que sempre fizeram forma de vida. Foi no tempo que encontravam aquele compasso descompassado, aquela sensação que os arrasta em direcção um do outro, em simples bailados de um sentir que não se torna explicável, apenas sentido por quem o vive, por quem deixa de ser espectador e se torna personagem principal, quem dá tudo de si mostrado o que é, sem mascaras, sem barreiras, apenas com o que de melhor tem, com aquilo que não se vende, apenas se encontrando no interior de quem sente, de quem se entrega ao amor. De mão dada, de gestos cúmplices e de os mais pormenores vivem, vivem daquilo que cultivam e não esperam que algo lhes caia nas mãos, que alguém lhes dê uma felicidade que eles nem sabem como será. Constroem aquilo que se chama de presente, um presente intenso no viver e único no sentir, são amantes de noites frias e apaixonados nos dias de sol, naqueles em que os raios banham o rosto deles em simples imagens de um passado, em recordações que permanecem naquilo que eles chamam de percurso, de um caminho que trilharam com a vontade de serem felizes. No amor encontra-se a resposta para aquilo que parece tão calado, nos silêncios das palavras, por vezes, são dadas as maiores provas, as promessas deixam de existir e passa-se a viver de provas, os olharem perdem-se, a vida ganham-se e a liberdade é um presente vivido, um respeitar desejado...



Comentários

  1. Muito bom texto, como já é hábito :p abraço padrinho!

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  2. Tenho uma fixação pelos parágrafos finais dos teus textos! Ficam sempre marcados no coração com as belas palavras!
    Parabéns por mais um excelente texto ;)

    Um beijo*

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  3. OH que mais que lindo texto :´)
    Vê-se claramente o amor presente nestas tuas palavras,rodeado de momentos de felicidade.
    Simplesmente LINDO! :)

    Beijinho**

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  4. Lindo, como sempre!

    Bjo e bom fim-de-semana.

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  5. As tuas palavras de cada vez que eu venho ao meu cantinho fazem com que um pequeno sorriso genuíno se forme na minha pequena cara, e o coração bate mais forte por ganhar um pouco mesmo que pequenino de força, porque é assim que ele ganha força, com as vossas palavras que me inspiram . que fazem em continuar a querer viver a vida da melhor maneira, mesmo nesta vida tão cinzenta e fria. vocês , os meus seguidores uns mais que outros fazem com que isto a que chamamos vida faça outra vez sentido na minha confusa cabeça , obrigada * um beijo grande para ti :)

    (sabes, tens a escrita que mais me cativa quando estou a ler, estes teus textos prendem-me aqui a esta pagina *-* )

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