O que o tempo dita...

A vontade de agarrar-te deixou de existir no momento em que o destino decidiu afastar-nos, afastar os nossos corações daquela história que ali foi desenhada e apagada pelo passar das horas e dos dias que vão preenchendo este nosso viver. O amor, esse, permaneceu ancorado, agarrado ao peito em simples gestos de uma saudade indescritível, onde o olhar se perdia nas ruelas e as lágrimas caiam dos olhos mesmo que a vontade fosse esconder essa mesma dor. Hoje apenas é mais uma sombra, uma folha rasgada de um sentimento deslaçarado, que aqui nasceu, aqui ficou e agora dita a sua morte para, desta forma, para voltar a abrir as suas portas com um novo ar, com um novo sentimento. Dizem que perder faz-nos crescer, que a falta mostra o verdadeiro sentir e que a distância aumenta uma saudade que antes parecia nem ser colocada como prioridade, mas, na verdade, o tempo passou e o que acabou por restar foi a mágoa, aquela mesma, que não nos deixa voltar atrás, não nos deixa voltar a reescrever uma mesma história. Prefiro escrever capítulos novos, aqueles mesmos que se desenham sobre sonhos sonhados e lutas constantes que travo e sempre travei pelo que tanto quero, por aquilo que faz da minha vida uma vida bem mais feliz. Não sou de desistir do que gosto, do que sinto e do que quero, porque mais vale lutar do que partir levando o arrependimento na alma de ser um fracassado dos meus próprios dias, dos meus próprios projectos. Partir não se torna uma cobardia, fugir não se torna uma fraqueza apenas é mais um forma de viver, em que a felicidade não passa por aquele instante, por aquela pessoa, por aquele sentimento e, desta forma, apagamos um capítulo para se poder escrever um próximo. Errar faz-nos crescer e disso não tenho qualquer dúvida, cair torna-nos mais fortes e sonhar faz de nós simples personagens principais de um conto, de um destino que se encontra escrito nas nossas atitudes, nos caminhos que escolhemos como sendo os mais correctos para nós. Acredito que quem se cruza é porque tinha de se cruzar, viver um amor e partir ou até mesmo permanecer numa história que não encontra ponto final no seu guião. Amar não é um acidente, não é um mar de rosas, não é uma imensidão de espinhos, amar é sentir, cada instante de um sentimento, um arrepiar de pele, um sorrir sempre que a imagem dessa pessoa invade o nosso dia, um querer agarrar, beijar, fazer feliz. Amar é a simplicidade de um querer verdadeiro mas também a complicação de darmos tudo de nós, de revelarmos as nossas vontades mas, da mesma forma, as fragilidades que todos temos...



Comentários

  1. Tens toda a razão... O que importa mesmo é a maneira como nos erguemos depois de uma queda, e a forma como reavivamos a nossa alma, com uma subida que pode ser lenta mas progressiva em direcção ao topo de novo :)
    Obrigada*

    ResponderEliminar
  2. "errar faz-nos crescer e disso não tenho qualquer dúvida, cair torna-nos mais fortes e sonhar faz de nós simples personagens principais de um conto, de um destino que se encontra escrito nas nossas atitudes, nos caminhos que escolhemos como sendo os mais correctos para nós." e são expressões como estas que eu adoro ler, pedacinhos.

    ResponderEliminar
  3. Mais uma vez, muito obrigada <3
    E eu gostei muito deste texto (:

    ResponderEliminar
  4. muito obrigada , eu escrevo muito frontal por quero abrir os olhos a muitas pessoas percebes ? não tenho nada contra elas mas estão a estragar o corpo por quem não mereçe . percebes?

    ResponderEliminar
  5. ainda bem que concordas porque tipo não quero que ninguem pense que as tou a criticar porque não estou , mas so quero abrir.lhes os olhos (:

    ResponderEliminar
  6. Boa noite André,

    Mais um texto teu, mais um momento de interiorização e de reflexão meus.

    Continuas a caminhar, por trilhos certos e estás quase a atingir o objectivo mais importante.

    PARTIR, DEIXAR AQUILO, QUE NOS FEZ TANTO MAL É MAIS DO QUE VIVER. É VIVER DUAS VEZES, DELICIOSAMENTE, E COM QUALIDADE DE VIDA.

    PARABÉNS O CORAÇÃO, O TEU, CONTINUA SEM LAÇOS.

    ESTOU À ESPERA DE UM CAPÍTULO NOVO. VOU DELIRAR E COMENTAR.

    Nesse dia, vais ver, que eu tinha razão (os anciãos têm muita sabedoria).

    As definições, ou as dissertações, que fizeste sobre o verbo amar estão "um brinquinho" (por este andar, que avaliação te vou atribuir)?

    As imagens, que escolhes estão e são muito giras, muito espontâneas e sensoriais.

    Bom fim de semana. Diverte-te e olha à tua volta. Pay attention!

    Beijinhos e abraços da luz.

    PS: NÃO IMAGINAS O QUE O TEMPO DITA. DITA E NÓS ESCREVEMOS, É COMO UM DITADO. ESCREVE!

    ResponderEliminar
  7. Oh, fico sempre sem palavras para o que me dizes e eu, oh nunca sei como agradecer-te. É bom ter pessoas que sabem-nos apreciar a escrita e deixar-nos criticas também. Aprendemos com isso, sabes? Obrigada e nunca deixo de gostas dos teus textos. São sempre divinais!

    ResponderEliminar
  8. Sei que parece que estou ausente por aqui. Mas nada disso. Apenas acho que transportas tão bem o que sentes para as palavras que na maioria das vezes não sei bem o que dizer.

    ResponderEliminar
  9. está lindo, aliás como todos os teus textos :)

    ResponderEliminar
  10. aserio obrigada mais uma vez pelas palavras :)

    ResponderEliminar
  11. Os teus textos são lições para mim, que ficam gravadas na minha memória e que me fazem pensar e ficam a "maturar" até ganharem uma espécie de sabedoria, para ajudar a viver (e sobreviver) neste simples complexidade que é o Amor!
    Mas tenho umas dúvidas, poderemos ter dois amores, sendo um deles uma "acção"; será possível conjugar as duas? E se amar-mos de uma forma tal essa "acção", será que nos deveremos focar apenas para ela e deixar o vazio ser a pouco e pouco preenchido?
    Desculpa pelo fraco comentário, mas à semelhança do que fazes, eu também escrevo o que sinto!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário